A primeira edição de 2025 do Nubank Engineering Meetup já chegou trazendo um tema central para quem trabalha com arquitetura distribuída, microsserviços e confiabilidade de sistemas: a observabilidade.
O evento, realizado em Soluções da AWS Lucas Vieira fedeSouza da Silva e Luis vereiro, marcou o início da temporada de encontros técnicos do ano com a presença de Guto (engenheiro no Nu e host da noite), dos Arquitetos Tiani, e também da equipe de engenharia do Nubank. Os nossos representantes, Caio (Engineering Manager) e Otávio (Lead Engineer), compartilharam os bastidores da evolução da nossa stack de logs e a criação das plataformas Observability Stream e Alexandria.
O foco da apresentação foi discutir como integrar ferramentas Open Source com serviços gerenciados da AWS para criar pipelines de observabilidade escaláveis e eficientes. O meetup trouxe desde os fundamentos dos três pilares da observabilidade (métricas, logs e traces) até demonstrações práticas usando OpenTelemetry, Prometheus, Grafana e OpenSearch.
O que é observabilidade, afinal?
A pergunta que guiou o início da discussão foi simples e objetiva: o que significa tornar um sistema observável? A resposta passa pela capacidade de responder, com dados concretos, a perguntas sobre o comportamento interno de aplicações em produção. Para isso, usamos três tipos de sinais:
- Métricas: são séries temporais numéricas, úteis para avaliar latências, uso de recursos e taxas de erro.
- Logs: registros textuais estruturados que ajudam a entender eventos e fluxos com maior detalhamento.
- Traces: rastreamentos que mostram como diferentes serviços interagem em uma requisição, permitindo identificar gargalos e relações de dependência.
Esses dados se complementam e formam a base para construir dashboards, criar alertas e realizar análises aprofundadas de comportamento.
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O papel do OpenTelemetry
Entre as ferramentas Open Source mais relevantes hoje está o OpenTelemetry. Trata-se de um projeto mantido pela CNCF que fornece:
- Bibliotecas de instrumentação para várias linguagens, com opções manuais ou automáticas;
- Collectors que atuam como agentes, recebendo, enriquecendo e enviando sinais de observabilidade;
- Protocolo OTLP, que virou padrão de mercado para transporte de dados.
Com ele, é possível instrumentar aplicações, coletar sinais em diversos formatos (inclusive Prometheus), e enviá-los para vários destinos como OpenSearch, Prometheus ou outros.
Open Source é liberdade, mas com desafios
A CNCF mantém um verdadeiro ecossistema de ferramentas Open Source para observabilidade, desde ingestão até visualização. Mas montar e operar um stack 100% Open Source exige tempo, conhecimento e responsabilidade sobre infraestrutura, updates, escalabilidade e segurança.
Aqui entram os serviços gerenciados. A proposta da AWS é simplificar a operação mantendo o uso de tecnologias abertas. Em vez de gerenciar seu próprio Prometheus ou Grafana, você pode usar versões gerenciadas desses serviços, com integração facilitada e escalabilidade automatizada.
OpenSearch: do Elastic Search ao vector search
Um dos destaques foi o OpenSearch, fork do Elastic Search criado em 2021 e mantido sob a Linux Foundation. Ele é amplamente usado para:
- Análise de logs e séries temporais;
- Soluções de busca para e-commerce e plataformas complexas;
- Busca vetorial para IA generativa.
A AWS oferece o OpenSearch em duas modalidades:
- Provisionado: com instâncias, VPC e sizing gerenciáveis pelo usuário.
- Serverless: escalabilidade automática, desacoplando computação e armazenamento.
O OpenSearch também inclui o OpenSearch Ingestion, baseado no Data Prepper, para transformar e enviar dados em formato JSON ao cluster.
Compondo uma stack gerenciada de observabilidade
A apresentação também abordou a integração entre vários serviços da AWS, formando uma stack robusta:
- Amazon Managed Prometheus: coleta e armazena métricas, com suporte a alert manager e pricing serverless.
- Amazon Managed Grafana: visualiza dados de diversas fontes (inclusive CloudWatch, RDS, OpenSearch), com autenticação via AWS Identity Center.
- AWS Distro for OpenTelemetry: versão governada da AWS com integração facilitada para EKS, ECS e Lambda.
Demo prática: OpenTelemetry em um cluster EKS
Para tornar tudo mais concreto, Lucas apresentou uma demo real com a aplicação “OpenTelemetry Demo” rodando em EKS. A aplicação, com gerador de tráfego, emitia sinais processados por um OpenTelemetry Collector e enviados para Prometheus e OpenSearch.
A partir disso, o Grafana reunia métricas, logs e traces em dashboards correlacionados, permitindo:
- Selecionar um microsserviço e ver seu histórico de latência e erros;
- Explorar um trace específico com visualização waterfall e logs associados;
- Utilizar datalinks para pular de um dashboard para outro ou abrir o OpenSearch direto via Grafana.
Tudo isso usando variáveis do Grafana combinando dados do Prometheus e do OpenSearch, facilitando a investigação de incidentes e o cruzamento de informações.
Reconstruindo a stack de logs do Nubank
Na segunda metade do meetup, Caio e Otávio trouxeram insights sobre a evolução da plataforma interna de observabilidade de logs do Nubank — uma jornada marcada por crescimento exponencial, desafios com vendors externos e decisões estratégicas para manter eficiência e controle sobre os dados.
O problema: crescimento de volume e custo com soluções terceirizadas
Com mais de 3 mil microsserviços e uma base crescente de clientes, o Nubank passou a lidar com volumes diários que chegaram a meio petabyte de logs. A estratégia original (baseada em um vendor externo) começou a mostrar limitações, especialmente em dois aspectos:
- Custo: observabilidade em larga escala se tornou uma das maiores despesas da infraestrutura.
- Confiabilidade: falhas na ingestão e falta de visibilidade sobre dados críticos impactavam diretamente na resolução de incidentes.
A solução encontrada foi ousada: construir uma plataforma interna, altamente escalável, resiliente e mais econômica.
Uma nova plataforma para ingestão de dados
A primeira etapa da reestruturação foi a criação da Observability Stream, responsável pela ingestão e processamento de dados de logs e, futuramente, de traces.
Requisitos técnicos
A equipe definiu quatro pilares fundamentais:
- Baixa latência na ingestão (dados precisam estar disponíveis em até 3 minutos).
- Escalabilidade e elasticidade para lidar com picos como Black Friday.
- Tolerância a falhas, garantindo que nenhum dado seja perdido.
- Eficiência de custos, alinhada à cultura de responsabilidade financeira do Nubank.
Arquitetura baseada em micro-batching
Para balancear performance e viabilidade técnica, foi adotado um modelo de micro-batching, com camadas de processamento desacopladas por filas (SQS). O fluxo envolve:
- Coleta com Fluent Bit.
- Acúmulo e transformação dos dados por serviços internos.
- Armazenamento no Amazon S3.
- Escalonamento automático com base no lag das filas.
Essa arquitetura proporcionou robustez e modularidade, preparando o terreno para o próximo passo: a busca.
Alexandria: nossa plataforma interna de busca de logs
Com todos os dados estruturados e armazenados, surgiu o projeto Alexandria, a plataforma de busca de logs usada por engenheiros e engenheiras do Nubank.
Busca escalável com Trino e Parquet
A arquitetura combina:
- Dados armazenados em arquivos Parquet no S3, com compressão de até 95%.
- Engine de consulta baseada em Trino, que lida com volumes massivos e alta concorrência.
- Um serviço de compactação contínua para otimizar a performance e o uso de storage.
Resultados alcançados
- 0,7 trilhão de linhas processadas por dia.
- Mais de 600 TB ingeridos diariamente.
- 14 mil buscas por dia escaneando 150 TB.
- Redução de 50% nos custos comparado a vendors SaaS.
- Tudo mantido por uma equipe enxuta de cinco engenheiros.
Observabilidade eficiente com open source e nuvem
O Nubank Engineering Meetup #11 trouxe um mergulho profundo e prático no universo da observabilidade com Open Source e AWS. Além de reforçar a importância de métricas, logs e traces, mostrou como montar uma stack de observabilidade moderna combinando o melhor do código aberto com a praticidade dos serviços gerenciados.
Com exemplos reais, arquitetura detalhada e demonstrações visuais, o encontro foi um recurso valioso para engenheiras, engenheiros e equipes de plataforma que buscam elevar a visibilidade e a confiabilidade de seus sistemas.
Fique ligado nas próximas edições do Nubank Engineering Meetup para mais conteúdo técnico aprofundado sobre os desafios e soluções na construção de produtos financeiros simples, seguros e inovadores.
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